No passado dia 23 de fevereiro, viveu-se a VIII edição do Domingo SALICUS, desta vez, no Arciprestado de Esposende, na igreja Matriz de Esposende, promovido pelo Departamento Arquidiocesano de Música Sacra de Braga, organizado pela Revista de Música Litúrgica – SALICUS, em coordenação com o Arciprestado de Esposende.
A sessão foi aberta pelo Arcipreste, P. Rui Neiva, e pelo Prof. João Duque, novo diretor do Departamento Arquidiocesano de Música Sacra de Braga, nomeado recentemente por D. José Cordeiro, Arcebispo Primaz. Começou por agradecer o trabalho realizado pelo anterior diretor, P. Juvenal Dinis, com cuja colaboração continua a contar, enquanto membro do Departamento. De seguida, saudou todos os presentes e agradeceu ao Arciprestado de Esposende o acolhimento da iniciativa.
Continuando a palavra de abertura, apresentou sumariamente a missão do Departamento – delinear estratégias e promover iniciativas como esta, procurando ajudar a proporcionar a todas as celebrações litúrgicas a qualidade e dignidade que as mesmas exigem, preparando os intervenientes na liturgia: organistas, salmistas, cantores e diretores dos coros. Compete-lhe também discernir quanto acontece nas comunidades cristãs neste âmbito, bem como acompanhar quanto se pretende executar em concertos ou celebrações especiais. Entre outras tarefas, pretende-se estimular o uso dos órgãos de tubos, onde existam, promovendo o seu uso habitual. O Departamento tem ainda a seu encargo a publicação da Revista de Música Litúrgica – SALICUS (publicação bimestral) e a Separata (publicação anual), da qual é diretor o Pe. Juvenal Dinis, que nessa qualidade continua a trabalhar no Departamento; também articula o seu trabalho, no que à formação diz respeito, com a Escola Arquidiocesana de Música Litúrgica de Braga, sediada na residência paroquial de Real, Braga; e a escola da Associação de Música Sacra de Braga, a funcionar na rua de Guadalupe, Braga, com extensão em Ribeirão, Famalicão. Para o Departamento também será importante criar coordenadores arciprestais da música, que promovam a formação e a atividade musical localmente. Mais informação pode ser encontrada no site: salicus.pt.
A primeira comunicação da tarde foi feita pelo Prof. João Duque, que abordou o tema: «Cantar na Missa ou cantar a Missa». O palestrante começou a sua exposição por salientar a importância de distinguir os termos «cantar a Missa» e «cantar na Missa», que são coisas diferentes. «Cantar a Missa» é cantar os textos da Missa: os diálogos do celebrante principal com o povo, as orações; o Kyrie, o Glória, o Credo, o Santo, o Mistério da fé, a Doxologia, o Pai Nosso, o Cordeiro de Deus, as leituras, o salmo responsorial o Evangelho. Tudo pode ser cantado. Também se incluem, num nível menos central, os cânticos de entrada, comunhão, apresentação dos dons, ação de graças e final. Na Missa quase tudo pode ser cantado. O coro tem a missão de ajudar a assembleia a cantar melhor, não vai dar um espetáculo. “Cantar na missa” é uma expressão menos apropriada, como se apenas se tratasse de um acrescento à missa.
O Prof. João Duque desafiou os presentes a: «apostar na qualidade da música adequada à celebração». Alertou para «o perigo de tantas vezes se praticar uma “música comercial” que, por vezes, está muito próxima da banalidade, muito sentimentalista e que não leva as pessoas a rezar. É problemático cantar uma coisa que é de outro ambiente e que não tem nada a ver com o que se está a celebrar».
Falando da Revista de Música Litúrgica – SALICUS, atual publicação da Arquidiocese de Música Litúrgica para as celebrações, na continuidade do trabalho que vinha fazendo a Nova Revista de Música Sacra, salientou que tem havido, da parte da direção da Revista, a preocupação de envolver compositores jovens de qualidade, desafiando-os a escrever para a liturgia.
De seguida, tomou a palavra o Pe. Juvenal, diretor da Revista de Música Litúrgica – SALICUS, que deu a conhecer a Revista de Música Litúrgica – SALICUS e cantou com os presentes alguns dos cânticos nela publicados: “Converteste em Júbilo”, de Fernando Lapa, “A quem iremos”, de Alfredo Teixeira, “A messe é grande” de Carlos Silva, com harmonização de Paulo Bernardino, entre outros.
Em seguida, tratou o tema: «Música / Liturgia / Jovens», partilhando com os presentes que «a celebração não é um espetáculo. Na celebração não agimos como “artistas de um espetáculo”. Somos parte integrante da celebração e foi chamando atenção para a forma e o modo como cada cântico na celebração deve ser executado. O coro, quando canta na missa, tem a missão de ajudar a assembleia a celebrar melhor. O cantor, quando canta numa celebração, não canta para sua exibição pessoal, mas canta para colocar uma assembleia a cantar e louvar o Senhor. O canto é fundamental na celebração. Alguém que canta na missa, é alguém que “procura qualificar a própria vida”».
Falando dos jovens, lembrou aos presentes as palavras do Papa Francisco na exortação Cristo Vive: os jovens «são o presente, estão a enriquece-lo com o seu contributo […] O canto pode ser um grande estímulo no percurso dos jovens». Por isso, exortou os presentes a acolher, a entusiasmar e a envolver os jovens nos grupos corais, pois estes podem ajudar, com a sua juventude, a renovar os grupos corais e a melhorarem muito a sua qualidade coral. Nunca como hoje tivemos tantos jovens músicos formados, nas comunidades, precisamos de saber integrá-los mais na liturgia e envolvê-los.
Um bom cantor deve ser pontual, discreto, humilde, dedicado, não se deixar envaidecer, está ali a prestar um serviço, não para se envaidecer, mas para louvar e ajudar a que, juntamente com a comunidade, louvem todos o Senhor de uma forma bela e autêntica.
Concluindo, exortou os presentes de que o coro não se sinta fora da assembleia, faz parte dela e tem como missão enriquecer e animar o canto do povo e criar espaços de descanso que fomentem a contemplação.
O ensaio feito para a liturgia já deve ser oração, preparando a celebração e planeando todos os pormenores, para que a celebração decorra com serenidade e sem ruídos, e seja, de facto, «a antecipação do Céu na terra».
De seguida, foram cantados mais alguns cânticos: «Senhor, a quem iremos» de Alfredo Teixeira, o «Aleluia» de Fernando Lapa, «Vós sois a Luz do mundo» de Fernando Lapa, e «Se grão de trigo não morrer», também de Fernando Lapa.
Por fim, o Arcipreste, o Pe. Rui Neiva, deixou uma palavra de gratidão a todos os presentes e aos palestrantes da tarde pela disponibilidade e pelo bom e belo momento proporcionado aos agentes de pastoral da música do Arciprestado, presentes neste evento.
A última palavra foi proferida pelo Pe. Armindo Patrão, responsável da música no Arciprestado de Esposende, que também agradeceu a todos os presentes pela tarde de formação que se viveu, entre a palavra e a música.
Que estes encontros ajudem a melhorar a qualidade musical das celebrações litúrgicas.
Departamento Arquidiocesano de Música Sacra de Braga
Ver artigo publicado no Jornal “Diário do Minho”, 25-02-2025